Humilhações constantes, cobranças abusivas, isolamento e constrangimentos públicos. Situações que muitas vezes são tratadas como “parte da rotina” podem configurar assédio moral no ambiente de trabalho — prática que tem gerado aumento expressivo de denúncias e ações trabalhistas no país.
O tema ganhou ainda mais relevância diante do crescimento dos casos registrados nos últimos anos. Em 2025, o número de ações relacionadas ao assunto teve aumento de 41%, totalizando 10.728 novos processos. A maioria das vítimas é composta por mulheres.
O assédio moral é caracterizado por condutas repetitivas que expõem o trabalhador a situações humilhantes, constrangedoras ou degradantes, comprometendo a saúde emocional, a dignidade e o desempenho profissional.
Entre os comportamentos mais comuns estão críticas excessivas, metas impossíveis, exclusão do convívio profissional, exposição vexatória diante de colegas e ameaças veladas.
Expressões aparentemente “normalizadas” no cotidiano corporativo também podem configurar abuso. Frases como “a porta é serventia da casa”, apelidos pejorativos, comentários ofensivos e boatos sobre colegas são exemplos de práticas que ultrapassam os limites do respeito no ambiente profissional.
O assédio sexual também segue sendo uma realidade preocupante dentro das empresas, tendo as mulheres como principais vítimas. Comentários de cunho sexual, convites constrangedores e promessas de benefícios profissionais em troca de favores configuram violência e podem gerar responsabilização judicial.
Especialistas alertam que identificar o assédio exige atenção à frequência das condutas e ao impacto causado na vítima. Mais do que conflitos isolados, o problema costuma se manifestar através de comportamentos recorrentes que fragilizam emocionalmente o trabalhador.
Além dos impactos individuais, empresas também enfrentam prejuízos relacionados à queda de produtividade, afastamentos, alta rotatividade e danos à reputação institucional.
Por isso, cresce a necessidade de ambientes corporativos mais seguros, éticos e preparados para prevenir situações de violência psicológica.
Entre as medidas recomendadas estão políticas internas claras, treinamentos periódicos, canais de denúncia eficazes e ações voltadas ao fortalecimento de uma cultura organizacional baseada em respeito, segurança e responsabilidade.
Sabrina Colodetti
Advogada especialista em relacionamentos trabalhistas












Respostas de 2
Excelente artigo.
Excelente abordagem sobre um tema tão necessário e ainda muito negligenciado dentro das empresas. O artigo traz reflexões importantes sobre os impactos do assédio moral e a urgência de construir ambientes corporativos mais saudáveis, respeitosos e emocionalmente seguros. Parabéns!