Empregador “bonzinho” x empregador estratégico: erros que geram passivo trabalhista

No ambiente de trabalho, a boa intenção nem sempre protege a empresa. Muitas vezes, o chamado “empregador bonzinho” adota práticas informais para ajudar o empregado e, sem perceber, cria riscos jurídicos relevantes. A “ajuda”, na verdade, pode se tornar verdadeira munição para o Empregado ajuizar reclamação trabalhista.

Um exemplo comum é o pagamento de vale-transporte em dinheiro. Embora pareça mais prático, essa prática pode gerar discussão sobre natureza salarial, incidindo reflexos em outras verbas durante todo o período do contrato.

Outro ponto delicado são os empréstimos informais ao empregado, que, sem documentação adequada, dificultam a compensação dos valores e podem gerar prejuízos ao empregador. Empréstimos ao funcionário, sem documentação adequada, impedem o desconto de forma segura, até mesmo na rescisão contratual e, pode acabar se tornando passivo trabalhista.

A gestão de jornada também exige atenção. A troca informal de folgas, especialmente em regimes de plantão, como por exemplo em escalas 12×36, pode resultar no pagamento de horas extras e até na descaracterização da escala adotada. Da mesma forma, permitir que a empregada trabalhe durante a licença-maternidade, ainda que por vontade própria, viola normas legais e pode gerar condenações.

Mas os equívocos não são exclusivos das empresas. Empregados também cometem erros recorrentes, como utilizar benefícios de forma indevida, descumprir políticas internas, registrar jornadas de forma incorreta ou até manter vínculo informal enquanto recebem benefícios sociais — situações que podem resultar em penalidades e perda de direitos.

A diferença entre o empregador “bom” e o “bonzinho” está na gestão consciente: ajudar, sim, mas com respaldo jurídico, políticas claras e formalização adequada. Prevenir ainda é a melhor estratégia para evitar conflitos e passivos trabalhistas.

 

Sabrina Colodetti
Advogada especialista em relacionamentos trabalhistas

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Tati Silveira

Fundadora e idealizadora do ES Conect, Tati Silveira é formada em Jornalismo e possui MBA em Marketing Estratégico. Há mais de 30 anos atua como Assessora de Comunicação, com passagens significativas em Entidades pertencentes a Confederação Nacional da Indústria-CNI, como Editora de Economia de “O Imparcial” (Diários Associados), além de edição de revistas, relatórios de sustentabilidade e sites. Sempre zelando pela imagem institucional e promovendo parcerias com foco na melhoria do relacionamento com os públicos de interesse das empresas atendidas.

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